
Assunto mais pungente atualmente na oftalmologia, o colírio Vizz (aceclidina a 1,44%) promete “corrigir” a presbiopia sem o uso de óculos, antigo desejo de grande parte da população acima dos 40 anos de idade.
Mas como o colírio faz esse “milagre”? A aceclidina provoca a contração do esfíncter da pupila levando a miose (com diâmetro pupilar geralmente inferior a 2 mm), o que gera o efeito “pinhole” ou estenopeico, aumentando a profundidade de foco e melhorando, assim, a acuidade visual para perto sem afetar a visão para longe. Ao contrário da pilocarpina, a ação da aceclidina sobre o corpo ciliar é mínima, o que reduz os efeitos colaterais como cefaleia ou riscos vítreos/retinianos. O colírio inicia sua ação cerca de 30 minutos após a instilação e seu efeito pode durar até 10 horas.
A eficácia e segurança foram avaliadas em três estudos de fase III, CLARITY 1,2 e 3:
– CLARITY 1 e 2: 466 pacientes por 42 dias.
– CLARITY 3: 217 pacientes por 6 meses.
Os resultados mostraram melhora significativa da acuidade visual para perto em até três linhas em tabelas de leitura sem registro de eventos adversos graves. Os eventos adversos mais comuns foram: irritação ocular (cerca de 20%), visão turva temporária (16%), cefaleia (13%), hiperemia conjuntival (7-8%). Em geral esses sintomas foram leves, transitórios e autolimitados. Aguardamos mais estudos com maior número de pacientes e maior tempo de seguimento.
O colírio está indicado para adultos com presbiopia geralmente entre 40 e 55 anos, podendo também ser utilizado em quem já realizou cirurgias refrativas (como LASIK ou PRK) ou de catarata, sob orientação médica. Não é recomendado dirigir à noite ou em ambientes com baixa luminosidade, pelo risco de visão turva secundária à miose induzida.
O Vizz foi aprovado pelo FDA, agência reguladora dos EUA, em julho de 2025 para o tratamento de presbiopia em adultos, devendo estar disponível naquele país no quarto trimestre de 2025, com amostras já liberadas a partir de agosto. O custo mensal estimado do tratamento (25 doses) é de US$ 79. No Brasil, o colírio depende da aprovação da ANVISA para o início de seu uso.
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